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Introdução ao Livro de Números

Postado por Murilo Em outubro - 14 - 2009

Este livro escrito pelo próprio Moisés, tem como tema central a jornada do povo hebreu rumo a terra prometida. O livro contém 36 capítulos, sendo que os primeiros 10 capítulos abrangem apenas os primeiros 50 dias da jornada, descrevendo como Moisés, sob instruções divinas, organizou o povo para a jornada do Sinai até a terra prometida.   

O livro também é dividido em Leis (diziam como deveriam viajar, se organizar e o que fazer ao chegar na terra prometida) e Narrativas (histórias da jornada). Fala de duas gerações de israelitas, a que padeceu no deserto e a que entrou na terra prometida. 

I. Cronologia

            A duração total dos acontecimentos de Números é de 38 anos e 9 meses, que podem ser divididos em 4 períodos, tendo início aproximadamente um ano depois da saída do povo do Egito. Uma curiosidade é que os eventos relatados entre os capítulos 7 :1 e 9:2 (tabernáculo erigido, ofertas dos príncipes, nomeação dos levitas e celebração da segunda páscoa) antecederam o recenseamento dos capítulos 1 a 3.

 

  Acontecimentos Capítulos Duração
A. Recenceamento e preparo para a marcha. 1 a 10 20 dias
B. Jornada até Cades-Barnéia.Missão de espionagem. 11 a 14 70 dias
C. Peregrinação no deserto em torno de Cades. 15 a 20 38 anos e 1 mês.
D. Jornada em torno de Edom até as campinas de Moabe. 21 a 36 5 meses.

Fonte: Ellisen, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. Ed. Vida 

 

II. Título do livro

O título original deste livro em hebraico é Bemidbar, cujo significado é “No deserto.” Esta é a quinta palavra do texto original hebraico, e na realidade apresenta o assunto principal do livro. A longa jornada do povo de Deus no deserto, com destino a terra prometida.

Em hebraico ainda existe a possibilidade de que o livro se intitulasse Wayydabber, cujo significado é “Falou o Senhor”, expressão que é repetida mais de oitenta vezes no decorrer da narrativa. Vale lembrar no entanto que o uso desta expressão não é uma particularidade deste livro da Bíblia, sendo repetida em muitas outras ocasiões.

            O título Números, vem do grego e identificava o livro na Septuaginta. Tem sua origem na palavra Arithmoi. Este título foi dado pelos tradutores em função dos censos que são mencionados neste livro nos capítulos 1 a 3 e 26.

 

III. Elementos Introdutórios:

 

A. O Censo – Números 1:1 a 3 – 45 a 47

Ao pedir que Moisés fizesse um censo, Deus desejava que o Seu povo se organizasse. Este recenseamento possuía também um objetivo militar. A expressão: “que podiam servir no exército” é mencionada 14 vezes no capítulo 1, e mostra que o povo deveria se preparar para invadir a terra prometida. Como resultado do censo, foram contados 603.550 guerreiros, no entanto o total de pessoas deveria chegar  a  cerca de 2.000.000.

Da mesma forma que cada homem em Israel devia estar preparado para lutar no exército de Deus, cada crente deve ter a consciência de que está envolvido em uma grande batalha. O grande conflito entre o bem e o mal é algo constante, e cada cristão deve buscar o poder de Deus para alcançar a vitória, bem como desempenhar seu papel como um fiel soldado de cristo nesta luta.

 

B. Os Levitas – Números 1:47 a 54

            Os levitas não foram incluídos no censo pois o seu papel era diferente. Tinham a responsabilidade de transportar, montar e proteger o tabernáculo. Esta atribuição especial lhes foi confiada pelo fato de terem sido a única tribo que permaneceu fiel por ocasião da idolatria do bezerro de ouro. (Êxodo 32:25 a 29)

Eram divididos de acordo com suas responsabilidades. Os  coatitas  cuidavam da Arca, os meraritas cuidavam das colunas, encaixes e tábuas enquanto os gersonitas cuidavam das cortinas do tabernáculo. Isso nos mostra que na igreja tudo deve funcionar com ordem também. Cada um desempenhando a sua parte, e ninguém ficando ocioso.

Um aspecto importante no estudo dos levitas, é compreendermos que eles ocuparam o lugar dos filhos primogênitos que foram poupados da morte no Egito. (Números 3:12,13).  Em outras palavras, cada primogênito de cada família que foi salvo por ocasião do êxodo, pertencia agora a Deus, no entanto ao invés de tomar um de cada família, Deus tomou para si uma tribo toda em seu lugar.

Este fato ilustra uma verdade espiritual muito relevante. Assim como os primogênitos salvos no Egito, tornaram-se propriedade divina, cada crente salvo em Cristo Jesus, torna-se também uma propriedade de Deus. Esta verdade bíblica fica claramente expressa em I Cor. 6:19,20. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.”

Que segurança temos ao crer em um Deus que nos reivindica como Seus filhos e assume total responsabilidade por nossas vidas. Eu te salvei, agora você é meu! Está é a frase que sai dos lábios de um Pai amoroso que tem o desejo de cuidar de cada detalhe de nossas vidas. Amém!

 

C. O Acampamento – Números 2:2

Tabernáculo e acampamento

As tribos acampavam ao redor do tabernáculo e cada uma possuía o seu estandarte. Tudo permanecia em ordem. Todos tinham o seu lugar exato e seus respectivos líderes.

“Deus é um Deus de ordem. Tudo o que se acha em conexão com o céu, esta em perfeita ordem; a sujeição e a perfeita disciplina assinalam o movimento da hoste angélica.” Patriarcas e Profetas p. 376

Assim deve ser a igreja e a vida dos crentes. Tanto na igreja como em seus assuntos familiares e pessoais o cristão deve procurar ser uma pessoa que zela pela ordem e disciplina.

 

D. O Santuário

Também era chamado de Tabernáculo, Tenda da Congregação ou Tendado Encontro. Ficava no centro do acampamento, era o centro da adoração e da vida do povo. Seu significado era “habitação.”Deus habitava entre seu povo. O  tabernáculo, a nuvem e a coluna de fogo que os acompanhava, serviam para ensinar ao povo que Deus estava constantemente presente em suas vidas.

Talvez a maior lição que a presença do tabernáculo no centro do acampamento representava o desejo de Deus de se relacionar com o seu povo. Deus quer se relacionar conosco.  João 1: 14 afirma que Deus “ … se fez carne e habitou entre nos…” . Da mesma forma que a presença divina era algo constante na vida do antigo Israel, deve ser também na nossa.

 

IV. Conclusão.

Um dos motivos que traz importância ao estudo do livro é que a experiência do povo de Deus no deserto está relacionada como a jornada espiritual de cada crente.

Assim como os israelitas foram libertos da escravidão no Egito, os cristãos também iniciam sua jornada ao serem libertos da escravidão do pecado. O resgate dos israelitas foi selado como o sangue na celebração da páscoa, da mesma maneira que o resgate de cada crente é selado no sangue de Jesus. E por fim ambos estão em meio a uma viagem rumo a terra prometida. A jornada de cada crente também passa pelo deserto. No deserto Deus nos prepara e nos santifica assim como o próprio Jesus se preparou no deserto.

 

Referências:

Ellisen, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento.  Ed. Vida.

Wenhan, Gordon. Números. Introdução e Comentário. Ed. Vida Nova.

White. Ellen G. Patriarcas e Profetas. Casa Publicadora Brasileira.

Agradecimento: ao Pastor José Vanderlei Elias, que nos enviou este texto por e-mail.

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